aldeia do bispo

Aldeia do Bispo é uma antiquíssima povoação do concelho de Sabugal, da qual dista cerca de 25 km. Fica a 60 km da capital do distrito Guarda, e a 45 km do posto fronteiriço e estação de caminho de ferro de Vilar Formoso.
Pela sua situação geográfica (a 1,5 km da fronteira espanhola), foi sempre um ponto de passagem para a aldeia espanhola de Navasfrias (5 km) e também para as vilas de Valverde del Fresno (16 km), Ciudad Rodrigo (50 km) e a cidade de Salamanca (130 km).
A uma altitude de 940m, tem um clima bastante rigoroso, seja de inverno ou de verão, assentando-lhe perfeitamente a atribuição de “nove meses de inverno e três de inferno”.

Apresentação geral

Apresentação de Aldeia do Bispo, da sua história e de elementos do seu património construido e natural.

Choços

Os choços são elementos de arquitetura rural, da qual subsistem numerosos elementos em Aldeia do Bispo mais particularmente nas vinhas.

 

Arvores monumentais

Nas vistas gerais,
Aldeia do Bispo aprarece enovelada no arvoredo no qual predominam o pinheiro, o carvalho, o castanheiro, o freixo…

Litotumbas

No limite de Aldeia do Bispo, contam-se mais de trinta sepulturas escavadas na rocha, provávelmente realizadas entre o século V e o século XII.

O bolo dos santos

Manda a tradição, que no dia dos Santos, os padrinhos ofereçam o “bolo” aos afilhados vindos pedir-lhes a benção.

Memórias

Apresentamos uma recolha de fotografias relativas às festas, tradições e à vida no campo em Aldeia do Bispo.

Trabalhos do campo

A ribeira

A ribeira de Aldeia do Bispo, das nascente, até à fonte.
Imagens de Outubro 2013

Artesanato

Miniaturas artesanais em madeira: alfaias agrícolas, monumentos, forcões…

Tudo isto, faz o Francisco e muito mais.

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Uma família consagrou a vida a duas actividades principais :
a caixa : o Manel Zé era tamborileiro e marcava presença nas festas e capeias;
o gado – a família dedicava-se à pastoricia de ovelhas e cabras.

Conhecer
Aldeia ado Bispo

Dizem que para compreender o presente é necessário conhecer o passado.
Esse passado (a História) nem sempre é fácil de deslindar por vários motivos e interesses divergentes daqueles que contribuíram para o (a) escrever.
Enquanto nos nossos dias o analfabetismo quase desapareceu nos países europeus, nem sempre foi assim.
Outrora, a maior parte dos eventos eram registados (lavrados) pelas pessoas (uma minoria) que sabiam ler e escrever, geralmente os clérigos e alguns nobres, quer dizer uma parte muito reduzida da população.

Essa história escrita contempla essencialmente grandes eventos que lhes convinham lembrar e muito pouco o dia a dia da maioria que se dedicava a lavoura.
Uma grande parte dos documentos que contemplavam dados e eventos importantes e menos foram-se perdendo com o tempo devido as guerras, incêndios, roubos e outras destruições que a tradição oral não conseguiu trazer para a luz dos nossos dias.
Mas nem sempre foi tudo escrito no papel, vejamos os sinais que muitos povos fixaram na pedra: montes de informações.
Também os nossos Antepassados deixaram pelas essas terras fora de Ribacôa e do país muitos sinais esculpidos na pedra que não vemos ou que não sabemos decifrar.
Na década 90 do século XX tive a oportunidade e o privilégio de seguir os passos do Reverendo Pe José Esteves Luís pelos caminhos e barrocos de Aldeia do Bispo.
Foi nessa caminhada que o livro das pedras de Aldeia do Bispo se abriu para mim graças a erudição desse ilustre Padre, conhecedor de todos os cantinhos da nossa Aldeia.
Tive o prazer imenso de ler nas pedras sinais dos nossos longínquos Antepassados e apreciar certos monumentos que chegaram até os nossos dias e que se encontram por vezes no meio de denso matagal.
Acontece que, desde essa inolvidável caminhada, não reparo para as pedras da mesma forma.
Tarefa árdua que tentar compreender a “linguagem” das pedras quando o nosso mestre já foi chamado para outras paragens.
Penso eu como alguns dos caminhantes desse dia que esse legado deve ser levado ao conhecimento da comunidade e preservado do vandalismo e modernismo.
Simbologia das pedras, recravas para suporte da estrutura da casa Lusitânia/Vetã, sepulturas escavadas na rocha, cruzinhas e covinhas (fôssetas) esculpidas nos barrocos ou em pedras soltas, santuários, etc.; todos esses “tesouros” me levam a crer que há necessidade de levar ao conhecimento dos filhos de Aldeia do Bispo residentes e não residentes como ás novas gerações a História destas terras cuja fronteira (Raia) foi sempre muito aleatória.
Vou tentar focalizar-me sobre certas épocas da nossa História em que de perto ou de longe Aldeia do Bispo esteve ligada a certos acontecimentos.

Advirto o leitor que não sou historiador, nem etnólogo e ainda menos arqueólogo; o trabalho apresentado é baseado nos autores clássicos e investigações próprias, quero somente fazer renascer e perpetuar a cultura das nossas gentes e das nossas terras.

HISTÓRIA

Aldeia do Bispo é uma antiquíssima povoação do concelho de SABUGAL, que dista cerca de 25 km, da capital do distrito GUARDA de 60 km e do posto fronteiriço e estação de caminho de ferro de VILAR FORMOSO, 45 km.

Pela sua situação geográfica (a 1,5 km da fronteira espanhola), foi sempre um ponto de passagem para a aldeia espanhola de NAVASFRÍAS (5 km) e também para as vilas de VALVERDE DEL FRESNO (16 km), CIUDAD RODRIGO (50 km) e a cidade de SALAMANCA (130 km). Estes laços com a vizinha Espanha, já são longínquos considerando que até 1296/1297 os territórios da margem direita do rio Côa e por conseguinte de Aldeia do Bispo eram pertença do Reino de Castela e Leão.

Fica distante 5 km da nascente do rio Côa.

No limite de Aldeia do Bispo, é, em parte, a ribeira da Raia (Ribeira do Codessal, segundo documento antigo de 1226) que divide as duas nações.
A aldeia é banhada pela Ribeira dos Munhos e seu afluente Ribeira do Poço que atravessa o centro da povoação e lhe dá um aspecto muito pitoresco, as suas águas escoam para a aldeia vizinha de Lageosa.
A ribeira do Codessal e dos Munhos vão desaguar no rio Rio ÁGUEDA (Rio de NAVASFRÍAS), cujas águas se juntarão no rio Douro.
A sul, prolongamento das serras espanholas da Peňa de Francia e Jalama (Xalma) e serras portuguesas das Barreiras, Cabeço Vermelho e das Mesas; a poente, Malhão e Matança.
A cobertura vegetal mudou muito após a praga dos incêndios florestais das décadas 70 e 80 do século XX, o pinho foi substituído pelo eucalipto e o carvalho negral apoderou-se da maior parte das terras.
A produção da castanha também diminuiu drasticamente por falta de tratamento e devido à doença da tinta.
Recentemente alguns soutos de castanheiros foram plantados.
Nas árvores frutíferas são abundantes as macieiras e marmeleiros.
Com a mudança do manto florestal e falta de exploração das terras, também a fauna procurou outros lugares: o lobo está extinguido desde a década 80 do século XX, a lebre e o coelho como a perdiz tornaram-se escassos. Só a raposa é que conseguiu adaptar-se a esta nova situação. Outros animais percorrem agora o limite de Aldeia do Bispo: corços e javalis (em grande quantidade).
Com paciência, também se pode observar o esquilo e denosinha.
As pegas azuis e aves de rapina investiram agora os céus límpidos desta freguesia.
Os seus limites confrontam com os da Lageosa, Aldeia Velha, Fóios e da espanhola Navasfrías.
A nível geológico, o granito de grão grosso domina a paisagem, excepto nas serras do Malhão e Matança onde predomina o xisto.
A altitude média da aldeia situa-se à cota de 930 m, o clima é continental com fortes amplitudes.
É difícil definir o aparecimento desta povoação, dado não haver documentos comprovativos. No entanto, os achados apontam para a existência de um povoado na época pré-histórica.
Também não conhecemos o nome primitivo de Aldeia do Bispo, o nome actual da freguesia aparece já no ano 1320. Podemos alvitrar a hipótese que o nome antigo fosse do desagrado da Igreja.
Aldeia do Bispo teve uma população importante até a década 50 do século XX, a partir de 1960 foi registado um grande despovoamento. Este êxodo, no início, rural, para Lisboa, Porto e Coimbra, acentuou-se depois para os países europeus: essencialmente para França.

Manuel Luiz Fernandes Gonçalves
Novembro 2013

BIBLIOGRAFIA
ALARCÃO Jorge
ESTRABÃO – Geografia (livros II , III e IV) les Belles Lettres
FERNANDES Hermínio Mariano (2012) – Aldeia do Bispo, das origens – edição do autor.
PIRES Célio Rolinho (Maio 2000) – O país das pedras – edição do autor.
TAVARES Adérito – A capeia arraiana
MARTÍN VISO Iňaki (2005) – En la periferia del sistema: Riba Côa entre antigüedad tardia y la alta edad media (siglos VI-XI) – Centro de Estúdios Ibéricos.
MARTÍN VISO Iňaki “Tremisses y potentes en el nordeste de Lusitânia (siglos VI-VII)”, Mélanges de la casa de Velázquez, 38-1 \ 2008, 175-200.

INDICE

PRE – HISTORIA
A simbologia das pedras
O vale do Côa
Arte rupestre no Vale do Côa e em Aldeia do Bispo
Os dólmenes de Ruivós

OS POVOS PRE ROMANOS
Iberos
Lusitanos
Vetões
A inscrição do Cabeço das Fráguas
As estelas de: Baraçal, Foios e Aldeia Velha.

O IMPERIO ROMANO
As guerras
Viriato
A Pax romana
A inscrição na ponte de ALCANTARA (Espanha)
As Villae de Vila Boa, Verdugal e Vila Fernando
A capital da região: IRUEÑA (Fuenteguinaldo)
As vias de comunicação: a estrela de ALFAIATES (Ponte Cipriano), VILAR MAIOR, a ruta da prata (puerto de Santa Clara)
Os marcos miliários 

SUEVOS E VISIGODOS
Parrochiale Suevum
A OCUPAÇAO MUÇULMANA
O legado mouro na irrigação e costumes
Alfaiates
O CONDADO PORTUCALENSE
A FUNDAÇÃO DA NACIONALIDADE – AFONSO HENRIQUES
A CRIAÇAO DO BISPADO DE CIUDAD RODRIGO
TRATADO DE ALCAÑICES – RIBACÖA PORTUGUESA

12 de Setembro de 1297 – assinatura do tratado de ALCAÑICES
A nova Raia
A ruta dos castelos
Caria Talaya
A OCUPAÇAO ESPANHOLA E RESTAURAÇÃO
Escaramuças
Incêndio de Aldeia do Bispo
AS GUERRAS PENINSULARES
A terceira invasão
Massena
Wellington
A batalha do Gravato
O CONTRABANDO
Minério, amêndoa, café
A DESERTIFICAÇAO
O êxodo rural
O surto migratório
O comboio Sud Express elo de ligação

PATRIMÓNIO
Património edificado
Campanário (1868)
Fonte de mergulho
Chafarizes (3)

Património religioso
Igreja matriz – de Santo Antão – século XVII
Igreja de São Gregório – século XVIII
Santuário lusitano (Vale João Fernandes)

Património arqueológico e etnográfico
Sepulturas antropomórfica
Machado pré histórico  – Museu Lisboa
Moinhos de água
Pontão do Valongo

Património natural e lazer
Miradouro na serra da Matança
Percursos pedestres sinalizados com tabuletas e marcos em granito (Rota do Malhão)
Cedro no adro das escolas
Carvalho quadricentenário
Pinho no lugar dos Carrasqueiros
Penedo (barroco) oscilante no lugar de Resprados/Golricha
Pedras cavaleiras

Património imaterial
Capeia arraiana com forcão

TRADIÇÕES
Festas :
Nossa Senhora dos Milagres
Santo Antão
São João
São Martinho
Entrudo (Carnaval)

Gastronomia
Enchidos
Fabricação de mel
Especialidades: Chanfraina, chanfana, cabrito

Actividades económicas
Pastorícia
Tecelagem
Turismo rural

ASSOCIATIVISMO