Aldeia do bispo e seu termo - das origens

Novo livro sobre a região de Cimacôa

Hermínio Fernandes nasceu em Aldeia do Bispo, Sabugal, a 20 de Abril de 1941. Feita a quarta classe na escola primária da aldeia, ingressou no Seminário dos Carvalhos, Cacém, Fátima, Salamanca, Buckden, Towers (Inglaterra) e Nagoya (Japão), onde desistiu dos estudos no segundo ano de Teologia. Nomeado assistente no pavilhão de Portugal para a Expo’70 em Osaka, ingressou na embaixada de Portugal em Tokyo no dia 1 de Outubro de 1970. Aí prestou serviço até Março de 1976. Foi contratado para a Mitsubishi Portugal até Novembro de 1994. Actualmente labora no sector das pescas, em colaboração com armadores nipónicos. A sua decisão de proceder ao inventário historiográfico de Aldeia do Bispo deveu-se à constatação de uma lacuna num estudo sobre as origens, lançamento da primeira pedra, evoluir da aldeia por entre as vicissitudes da diacronia do registo histórico.

 
 
 

Aldeia do Bispo e seu Termo - das origens

Sexta-feira dia 12 de Agosto, realizou-se nas instalações da antiga escola primária de Aldeia do Bispo a apresentação de um livro de Hermínio Fernandes, consagrado à região de Cimacôa. O evento, patrocinado pela associação Raiar e pela Junta de Freguesia, contou com a presença do Presidente da Câmara do Sabugal e de inúmeros naturais de Aldeia do Bispo.

Uma das principais dificuldades com a qual se deparam os estudiosos desta nossa região de Cimacôa, reside na falta de indícios capazes de permitir uma rigorosa e inequívoca compreensão da realidade histórica.
Por se tratar de  “terras de ninguém” ora para cá, ora para lá da fronteira, as referências documentais escasseiam e quando existem, aparecem bastante sumárias e dispersas.
Por isso, a compreensão do tempo das origens, requer  trabalho de investigação e pesquisa, que só à força da  perseverança  poderá  vir a  contribuir para desvendar as brumas em que se deixou adormecer a “nossa” história.
Não sendo uma história “espectacular”, é a história à dimensão de homens que foram realizando o feito “histórico” de “se libertar da lei da morte”, vivendo as suas crenças e esperanças, preservando ao longo dos anos o fio ténue que permitiu a existência das gerações que nos precederam nestas paragens.
Esta procura das origens, esta preocupação ancestral de conhecer o que antecede para melhor compreender o presente, é tanto mais necessária, quanto mais múltiplas e dispersas  se afiguram as nossas raízes no passado. Afinal, os vestígios aí estão, discretos, silenciosos, contando só para quem quer ouvir, como se fez a caminhada rumo aos nossos dias.

Para compreender de onde vimos, não nos podemos  contentar em procurar explicações nas referências que conhecemos hoje. Torna-se imperativo olhar além e tentar compreender de maneira global a evolução realizada nas suas componentes geográficas, sociais  e religiosas.
Considerando que o que somos, é função do onde estamos, a análise de Hermínio Fernandes abrange muito naturalmente, toda a região da Raia, tanto a do Sabugal como a de Cidade Rodrigo, sem as limitações  das fronteiras actuais, transformando em fulcro o que dantes se nos afigurava como extremo.

A documentação foi recolhida metodicamente e de maneira cientifica pelo autor, recolhendo provas, pesquisando nos livros em português arcaico, em latim, em grego, em inglês das bibliotecas portuguesas e espanholas, calcorreando os montes tentando decifrar os livros empedernidos espalhados pelos campos de toda a região. Deste trabalho levado a cabo durante  mais de quatro anos, com persistência e teimosia, o autor apresenta-nos agora o resultado afirmando o que provou e calando o que, sem provas, considera como meras conjecturas, interpretações ou suposições.
Falassem as pedras que muito mais ficou por dizer, Aldeia do Bispo e seu termo - das origens, é uma introdução, um convite ao estudo rigoroso de toda uma região à procura da sua verdadeira  identidade que progressivamente se esvaiu no tempo .

Ao longo da narração, vai o autor despertando a alma do que foi contemporâneo do passado numa perspectiva diacrónica que nos faz viajar dos machados líticos recolhidos no termo de Aldeia do Bispo ao surto migratório para França, passando pela catalogação das inúmeras litotumbas existentes na freguesia ou pelos ataques do Duque de Alba nas campanhas da Restauração ou durante as invasões francesas.
Trata-se de uma obra original, em que o rigor da ciência desce ao povoado continuando acessível a todos quantos quiserem beneficiar de uma visão erudita que esta “pequena história” que se viveu nestas nossas regiões também merece.

Domingos Ricardo