Arvores

  1. Aldeia do Bispo não tem monumentos imponentes: catedrais, palácios, castelos, muralhas… mas orgulha-se de possuir um dos maiores legados de sepulturas antropomórficas do distrito.

Na sua obra “Aldeia do Bispo e seu termo – das origens” (pag. 171 a 196), publicada em 2011, Hermínio Fernandes faz uma inventariação minuciosa desse património que temos a obrigação de preservar. A Associação RAIAR Aldeia do Bispo, tem vindo a contribuir par essa preservação, colocando tabuletas de informação e arranjo de certos lugares onde situadas como por exemplo no lugar da Malhada onde a zona envolvente ficou protegida.

Mas não só. Na parte SSE do termo de Aldeia do Bispo e no vale SSO a montante da vizinha Lageosa medra o carvalho com exemplares de tronco e copa pluricentenários.

Para o Carvalho do Ti Russo, agora carvalho de Narciso Luís Nunes Ramos (Narciso Russo) alvitravam os entendidos já na década dos anos 50 (do século XX) que se abatido, seriam necessários 15 carros de vacas para transportar as carradas de lenha.
Felizmente para a comunidade esse carvalho não foi abatido e tornou-se um verdadeiro monumento que muitos aldebispenses e forasteiros vão “visitar” a caminho dos Resprados e Gulricha onde se encontra.

Pluricentenário, este exemplar continua ainda cheio de vitalidade, sem tintas, sem tocas, sem podres; sem pernadas secas, todos os anos carregadinho de boleta (bolota). Assim estava em 19 de Maio de 2010 e em 20 de Outubro de 2015.
Este monumento natural encontra-se no no caminho que vai da Gulricha para o Vale Catarina. A poucos metros dos seus pés encontra-se uma nora em relativo bom estado de conservação.
Não há dúvida que outrora esta parcela era cultivada de batata ou centeio onde os nossos avôs com a enxada e o arado passavam muitos dias de fadiga desde o amanhecer até ao por do sol.

Era bem difícil a vida das nossas gentes que tinham de tratar uma terra areosa com pouco húmus necessitando muito estrume para a fortalecer mas sempre com energia e muitas vezes também com alegria no seu dia a dia. Apreciadores de árvores, questionaram a “juventude” do carvalho; alguns apontam para 400 anos.
A vetustez da árvore é perceptível claramente, as dimensões não enganam (altura para mais de 20 m e diâmetro de copa que falta medir).
Já cresce pouco, como pude verificar, as medidas são quase idênticas entre 2010 e 2015.
Em 20 de Outubro de 2015 (às 15h20) com a ajuda do João José e Ismael, a fita métrica deu os seguintes resultados :
– perímetro na base: 6,64 m; perímetro a 1 m de altura do solo: 5,10 m.
Em termos de vitalidade nenhuma outra árvore em redor o bate: é aquele onde as folhas primeiro rebentam e onde são mais verdes.

Ali a uns 60 passos para nascente, rasga os céus outro carvalho quase tão imponente como o do Ti Russo, é na propriedade de Josefa Ramos Nunes Luís, aqui vão as medidas feitas no mesmo dia e na mesma tarde solarenga e de temperatura amena, perímetro a 1m de altura do solo: 3,80 m.

Estas duas “majestades” mereciam a colocação de um marco no caminho para esclarecer os seus admiradores. Aqui deixamos a sugestão. Claro que estes monumentos vegetais encontrando-se em propriedade privada é necessário respeita-la e não arrombar ou destruir qualquer vedação.

Ora, vai fazer 250 anos em 2016 que o Ministro da Guerra, José de Carvalho e Melo, Conde de Oeiras, depois Marquês de Pombal, mandou proceder ao corte de carvalhos em Aldeia do Bispo e Lageosa para melhorar as condições de defesa da Praça de Almeida.

Aldeia do Bispo, 8 de Novembro de 2015
Manuel Luiz Fernandes Gonçalves (Lei)

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